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O início de uma jornada

O início de uma jornada

03/10/2026

Há pouco tempo a inteligência artificial deixou de ser notícia distante e virou ferramenta de mesa. Eu não estou “começando do zero”. Sou formado em Sistemas de Informação. Nunca programei profissionalmente. Passei por vendas, representação comercial e qualidade numa multinacional americana, com procedimentos de campo, treino de produto novo e auditoria. Depois estudei mercado financeiro em busca de diversificação de ativos, carteira de dividendos e criptomoedas. Isso não é recomendação de investimento. Hoje trabalho como motorista de aplicativo e crio agentes de IA para a minha empresa. Estou voltando à tecnologia, agora programando com a ajuda da IA, depois de uma carreira em vendas, qualidade e processos.

Decidi documentar isso em aberto e de graça. Quero não esquecer o que estou fazendo, e quero que outra pessoa leiga consiga repetir sem traduzir jargão. Neste site o leitor vai encontrar guias simples, bastidores do que estou montando, e também os erros e os custos, sem maquiagem.

Por que alguém que veio de vendas, qualidade e processos teria algo a ensinar para leigos? Porque essa carreira treinou exatamente o que a ferramenta sozinha não faz: documentar o passo a passo, treinar gente nova sem deixar ninguém perdido, e explicar de um jeito simples o que ainda parece complicado.

Quero praticar quatro jeitos de criar com IA. Não são “níveis de magia”. São quatro portas diferentes, cada uma com um uso no dia a dia e um cuidado.

O primeiro jeito é perguntar. Na prática, é conversar com a ferramenta como quem tira uma dúvida no balcão. Uso o Grok no app e dentro do X. Serve para pesquisar um assunto, rascunhar uma ideia, pedir um exemplo ou destravar uma frase. No dia a dia isso substitui, em parte, a busca infinita e o caderno de recados soltos. O cuidado é simples: a resposta pode soar segura e ainda assim estar errada. Ainda sou eu quem decide o que vale, o que conferir e o que jogar fora.

O segundo jeito é delegar. Aqui eu não peço só um texto; peço uma tarefa. No Grok Bot eu passo um objetivo e um agente tenta os passos. Um deles se chama Darth. No dia a dia isso serve para coisas repetidas: organizar, acompanhar, rascunhar, juntar o que eu já sei que preciso fazer de novo. Delegar não é abandonar. É pedir execução e depois conferir. O cuidado é não tratar o resultado como pronto só porque veio formatado. Se eu não revisar, eu só troquei um retrabalho por outro.

O terceiro jeito é construir. No Grok Build eu descrevo o que quero e tentamos chegar a um app. Serve para transformar uma ideia pequena em algo que dá para abrir e usar, sem começar pelo código. No dia a dia isso ajuda quando a necessidade é concreta: um fluxo, uma tela, um jeito de guardar ou mostrar informação. O cuidado é a clareza da ideia. Se eu for vago, o resultado também fica. Preciso dizer o que entra, o que sai e para quem é, senão a ferramenta preenche as lacunas do jeito dela, não do meu.

O quarto jeito é programar. Aí entram Cursor, código de verdade, e o que já está no ar: este site em Hugo, publicado pela Cloudflare e construído com o Gemini e o Claude, dentro do Google Antigravity. Para o dia a dia da empresa uso o Hermes Agent no notebook e na nuvem, com agentes de tarefa e uma redação que me ajuda a escrever. Programar, neste sentido, é quando a conversa vira arquivo, página, agente ou site que continua existindo depois que eu fecho o chat. O cuidado é o mesmo de qualquer ofício: entender o que foi feito o bastante para consertar quando quebrar, e não fingir que “a IA resolveu” se eu não sei o que está rodando.

Nenhuma dessas ferramentas substitui julgamento. Elas encurtam o caminho entre “eu sei o que quero” e “está no ar”.

Se tudo isso parece básico para quem já vive de software, ótimo. Este texto não é para esse público. É para quem dirige, vende, cuida de processo ou só tem uma hora à noite e ainda assim quer usar ferramenta boa sem se sentir burro.

Eu sou curioso. Sempre busco informação e estudo ferramenta nova. O intuito é ajudar. Ensino de graça o que estou fazendo para que pessoas leigas usem o que facilita o dia a dia. Sem curso à venda.

Me acompanha no X, @RodrigoesPorto, e aqui no rodrigoesporto.com. Vou publicando aqui o que for saindo, com os acertos, os erros e os custos.